1 mês de Husky e a sutil arte de reaprender a trabalhar

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Sete anos.

Esse é o tempo de carreira que eu tenho. Se contar os anos de estagiária, já posso aumentar esse número para 9. Então são uns bons anos construindo uma mentalidade específica do que é “trabalhar”.

Em cada emprego eu aprendi algo novo, mudei algumas (várias) coisas em mim, absorvi conceitos e crenças. E nesse processo descobri em mim uma profissional bastante metódica, processual, que gosta de fazer as coisas numa ordem definida e o mais certinho possível. 

Mas recentemente completei meu primeiro mês na Husky e o título desse texto define muito bem o que eu sinto no momento: o meu jeito de trabalhar está se reinventando, e isso tem me trazido muitas reflexões. Então aqui vai um pouco do que tem se passado na minha nova vida as a huskie.

Simplesmente faça seu corre

O primeiro baque que senti como membro do time foi no meu modus operandi todo “certinho”. Não porque a gente seja avesso a processos e método (não somos), mas porque eu não preciso ficar checando as coisas com os outros o tempo todo.

Eu vou indo. Se julgar necessário, posso fazer um post no Twist ou chamar alguém no Telegram. Mas não preciso de uma validação de alguém para fazer meu trabalho, eu só faço.

Num primeiro momento, isso me deu um pequeno desespero. Como as pessoas vão saber que estou trabalhando direitinho? E se eu der um passo errado ou fazer algo que meu time não goste?

Mas eu sou constantemente lembrada de que as pessoas aqui confiam em mim e confiam que me preparei e corri atrás de contexto para tomar a melhor decisão. Se algo estiver errado, elas também serão as primeiras a me falar porque a cultura de feedback é forte. E vamos lidar com as consequências disso. 

Então o que era muito difícil e sofrido lá nos primeiros dias, tem se tornado mais fácil conforme vou me tornando mais auto suficiente. 

Liberdade e responsabilidade andam juntas

Assim como estou aprendendo a exercer a minha autonomia ao máximo, aprendi também que a chave para ser boa nisso se chama autorresponsabilidade.

Uma das primeiras leituras do nosso clube do livro foi “A regra é não ter regras”, que conta sobre a cultura de autonomia da Netflix, e isso abriu meus olhos para a necessidade de tratar profissionais como adultos.

Quando eu digo que vou cuidar de algo, as pessoas esperam que eu faça aquilo. Se eu fizer, elas confiarão mais em mim. Se não fizer, isso vai prejudicar a forma como sou percebida pelos meus colegas. Isso é ser responsável — assumir seu papel, cumprir com a sua palavra e arcar com as consequências dos seus atos.

A Husky não precisa vigiar o que eu faço porque eu sou uma mulher adulta dentro de uma empresa. Eu não preciso de uma babá. Meu trabalho transparece nos resultados que eu trago ou na falta deles, não no fato de ter alguém me vigiando. 

Se trouxer bons resultados, serei reconhecida. Se não, serei dispensada. Dura e simplesmente assim, sem romantismo. Porque isso é trabalho, não um passeio no parque. E enxergar o trabalho como trabalho tem me ajudado muito a ser mais objetiva nas minhas ações.

O remoto de verdade é assíncrono

Desde o início da pandemia, lá em 2020, só trabalho de home office. Por uns bons meses, estudei como doida sobre o assunto para apoiar o time que eu liderava. E em tudo que li, uma ideia sempre esteve presente: não é trabalho remoto se você tem que estar disponível o tempo todo. 

Não adianta apenas não ter escritório. Sua empresa não é remota se você precisa acordar às 7h da manhã para participar de uma daily ou bater ponto no chat quando alguém te chama. Isso é apenas um tipo de amarra para checar se você está ali, se está “trabalhando”. Só que num modelo você é amarrado pela presença física e no outro pela digital.

Ao contrário das empresas que precisaram se adaptar, a Husky nasceu remota lá em 2016, 4 anos antes da pandemia. E ter isso na essência faz uma baita diferença na prática — nunca tivemos escritório, e estamos cada vez mais tirando as amarras digitais. 

O Slack, por exemplo, foi banido da Husky por ter toda aquela pressão para “ver o chat”. No lugar dele adotamos o Twist, que funciona como uma caixa de email que a pessoa vê quando pode. As coisas estão ali e precisam ser feitas, mas você decidirá quando fazê-las. Isso é flexibilidade de verdade. 

Tem dias em que eu vou trabalhar 14 horas seguidas e tem dia em que mal vou render cinco. Aqui não trabalhamos o tempo todo, mas fazemos valer de verdade o tempo em que estamos trabalhando. 

Uma agenda livre é completamente possível

Falando de tempo, eu sempre detestei reuniões. Sempre. E não só porque a maioria delas tende a ser desnecessária, mas principalmente porque sou uma pessoa que funciona melhor sozinha com os meus miolos. 

Me deixa quieta no meu canto fazendo as coisas, e elas vão acontecer. Me interrompa, e eu vou ficar impaciente e com pressa de voltar para a execução.

Uma das coisas que mais me deixou feliz de entrar pra Husky foi ler no “beginners guide” que “o trabalho de verdade acontece fora das reuniões”. Todo mundo aqui leva muito a sério a necessidade de ter um tempo sozinho para trabalhar. Bem naquele estilo “contrate pessoas boas e deixe-as em paz”. 

Falar sobre trabalho é importante, mas você não precisa de um espaço de tempo específico para fazer isso. As discussões devem acontecer no dia a dia, nos chats e emails da vida, e não esperar um momento certo para isso. Até porque esperar esse tempo vai travar ainda mais o que precisa ser resolvido.

Nossas reuniões de time estão cada vez mais espaçadas e existe um momento específico em que elas podem acontecer para não travar a agenda de ninguém. Ao mesmo tempo que as pessoas aqui entendem que algumas coisas são sim urgentes e precisam de atenção imediata. Afinal, somos adultos trabalhando, lembra?

Não é para todo mundo

Em um mês, eu conheci o modelo de trabalho mais autônomo, direto e prático que já vivi. Ele te coloca no centro da coisa e você precisa se movimentar se quiser dar em algo. A escolha é sua.

Muitas pessoas não conseguem ou não querem lidar com isso. A Husky não é para qualquer um. E está tudo bem, nenhum trabalho é.

Agora é aprender o máximo possível, fazer o meu melhor trabalho e descobrir no que vai dar tudo isso.

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